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17:58 - sex 10 setembro, 2010 |  RSS:
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Pedrox entrevista Nelson Seccutti

Tem duas coisas que Nelson Seccutti é alucinado: surf e rock´n roll. Do surf ele ganha o sustento da família, a partir de sua loja Malibu Surf Shop, mas o seu maior prazer é cantar em sua banda de rock.

O empresário de 37 anos é vocalista e fundador da banda Rayzon – Rock 100% Paraense, segundo eles mesmos – e figura marcante nos videoclipes freqüentes da Rede TV!, na época em que a TV Rauland (sua retransmissora) apresentava o programa clip-show.

O único álbum da banda, denominado “Não Subestime Ninguém” rendeu três vídeos: o homônimo “Não Subestime Ninguém”, o clássico “Tempos de Escola” e “Brasileiro”.

Quando fiz esta entrevista eu não imaginava que sem querer estava dando o primeiro passo para que a banda Rayzon voltasse à cena. Não aconteceu, mas os caras se animaram e se inscreveram no Prêmio Ná Figueiredo de melhor videoclipe paraense de 2007, ficando entre os 10 melhores.

Muita gente sabe da existência da banda, conhece algumas lendas a seu respeito, mas o Bitácora do Pedrox apresenta uma entrevista, via MSN, publicada no meu blog anterior em 19 de outubro de 2007, com o vocalista da banda de rock paraense pioneira em emplacar clipes divertidos na TV aberta.

A ENTREVISTA

Poxa, primeiro quero te agradecer por te me dado a dica (do prêmio Ná Figueiredo) e dizer que o que você fez (colocar o clip no teu blog) nos deu animo e combustível para voltar. Estamos renovados, temos probleminhas internos, como toda banda, mas você com certeza foi o nosso padrinho nessa retomada aí… Não vou esquecer nunca.”

(Nelson Seccutti – Rayzon)

Pedrox: Nelson, a Banda Rayzon ainda existe?

Nelson Seccutti: A banda não terminou. Ela parou com os shows ao vivo, mas continuamos ensaiado um pouco. Na verdade o motivo da pausa foi que cada integrante arrumou empregos puxados e estávamos reformulando o som que a gente faz. Queríamos algo novo.

Pedrox: Como surgiu a banda?

Nelson Seccutti: Começou em Salinas. Foi nosso primeiro show, pois sou surfista e vivia no Sal. Lá consegui um show em julho de 2000, meio de penetra. Chegamos na praia do Farol Velho e tinha uma bateria pra outra banda tocar, numa boate lá. Ficamos chorando pro dono deixar a gente tocar de graça, ele concordou. Quando a outra banda chegou não entendeu nada.

Pedrox: A banda sempre teve a mesma formação? Quem são os integrantes?

Nelson Seccutti: Já tivemos algumas mudanças sim, mas o trio Nelson no vocal, Eudes Pinheiro no baixo e seu irmão Juninho na batera já está há um bom tempo junto. Hoje a guitarra é do Wagner.

Pedrox: Quais são as maiores influências musicais da banda?

Nelson Seccutti: Muito rock nacional, hip hop, um pouco de heavy metal também, um pouco hehehe. Mas o rock nacional é nossa fonte.

Pedrox: E quais as bandas que mais influenciaram o trabalho de vocês?

Nelson Seccutti: Charlie Brown jr., Engenheiros do Havaí, Detonautas, Rage Against the Machine e Titãs.

Pedrox: O que significa Rayzon?

Nelson Seccutti: Queríamos um nome que não batesse com nenhuma banda do Brasil. Como nosso som era agitado, resolvemos misturar um pedaço em inglês com uma gíria brasileira muito usada por skatistas na época. Ray significa raio em inglês ou coisa parecida, “ –zon” é gíria de skate, tipo vamos numa “feston” tomar um “cervejon”. Vai por aí.

Pedrox: Na época dos videoclipes de vocês pouca gente fazia aqui em Belém. Como começou essa mania de fazer clipes?

Nelson Seccutti: Quando vi o programa clip-show, na antiga Rede TV, tinha uma chamada pedindo clipes locais. Como o Rayzon não tinha imagem, corri atrás e gravei o “Não Substime Ninguém”, aí gostamos e veio “Tempos de Escola” e “Brasileiro” e como nenhuma banda de rock da época tinha um clipe, nós resolvemos meter a cara. Foi ai que a galera começou a sacar realmente a banda.

Pedrox: É verdade que vocês contrataram uma garota de programa para fazer o papel de professora no clipe “Tempos de Escola”?

Nelson Seccutti: Ela fazia show erótico com o marido no Lapinha. Os dois subiam no palco e mandavam ver ao vivo, mas ela não fazia programa. O marido dela é argentino e também participa do clipe “Tempos de Escola”. Ele é o diretor que puxa o boné do aluno e apresente a professora quando ela chega à sala de aula.

Pedrox: Aquele Vectra ao fundo, enquanto a banda toca, é um troço marcante também. O que ele fazia lá?

Nelson Seccutti: Chegamos pra gravar na praça do forno crematório e o cara que ia levar o som pra gente fazer o playback encheu a cara e furou. O Lucas, que era o cinegrafista, pirou, pois tinha que gravar um culto de crente e começou a reclamar que não tinha tempo e tal. Daí, nós da banda resolvemos entrar com o carro na praça, pra poder botar o som do caro pra gente fazer as imagens. Não tinha outro jeito e o carro ficou lá.

Pedrox: Embora faça uma crítica social, “Brasileiro” é um clipe muito engraçado, especialmente por causa das camisas de futebol. Como foi que surgiu este clipe?

Nelson Seccutti: Nós somos viciados em futebol. As camisas são um diferencial. A do Eudes é muito engraçada, pois é pirata e eu ria muito. Bem, quanto ao clipe, eu tava cansado de ver gente morrendo por coisas bestas tipo um cigarro, uma cerveja e resolvi colocar na Rede TV esse clip, pra tentar chocar a galera mesmo. Tem uma coisa, aquele menino com a camisa do Brasil, que morre no fim, é o Júnior, vocal da banda Garagem 32.

Pedrox: A banda toca muito bem… Mas existem críticas sobre o teu registro vocal. Eu mesmo cheguei a comentar sobre a tua dicção, mas ponderei considerando que deve fazer parte de um estilo (e é até uma das marcas da banda). Porém, tem gente que desce a lenha nisso. Como tu vês esse tipo de crítica?

Nelson Seccutti: Na época dos clipes a gente tava realmente num começo e quando eu vim do meio underground pro da mídia geral trouxe comigo alguns vícios vocais de gritar muito, de berrar, que eu fazia ao vivo. Mas além de ser meu estilo mesmo, eu tenho estudado bastante. E o que tenho que fazer é sempre melhorar. Essa sim é a resposta às criticas: Estudar e melhorar. Pode ver que no brasileiro a voz e a dicção já deram uma melhorada.

Pedrox: Quais as diferenças que você mais vê da cena roqueira de Belém da época em que vocês surgiram para a de hoje?

Nelson Seccutti: Tá faltando muito os festivais de praça mesmo. Sabe aquele que as bandas se unem, fazem uma vaquinha pro som. Hoje eu não vejo muito isso e eu acho ruim pois muitas bandas surgem no cenário dessa maneira. Hoje as bandas estão meio que divididas em grupos. Tipo assim, uma galera sempre tá junto tocando direto na mídia e em casas noturnas e a galera que tá ali querendo um espaço sempre é limada de alguns festivais ou aparece só pra abrir algum show de fora. Isso aconteceu muito com a gente. Quanto mais festivais como te falei, mais espaço abre pra outras bandas.


OS CLIPES

Tempos de Escola

“Nem percebemos/A vida que vivemos/Nem percebemos/A vida que vivemos/Não vai voltar/Não vai voltar/Não vai voltar/Não!”

Brasileiro

“A guerra mata milhares por ideais. Na nossa rua um brasileiro morre por cinco reais

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