Foi muito rápido que tudo aconteceu. Alguém da assessoria de cerimonial nos lança a indagação: “É verdade que Ronaldo Franco faleceu?”. Consternados com a pergunta partimos em busca de informação para saber o que havia ocorrido de fato. Meu colega telefonou para o Diário do Pará (onde ele tem uma coluna semanal) e a confirmação foi imediata: “Ronaldo Franco morreu, que nos disse foi do delegado Fernando Flávio, diretor da Seccional da Pedreira. Uma equipe nossa está indo pra lá”. Eu fui ao blog do poeta e nele encontrei uma postagem de hoje, pouco antes daquela informação, que trazia o seguinte texto: “O coração se pudesse pensar, pararia.” (Fernando Pessoa).
Nem é preciso dizer que a tristeza tomou conta da assessoria de imprensa onde trabalho. Nós não conhecemos pessoalmente o poeta Ronaldo Franco, apenas nutrimos por ele admiração. Minha primeira reação foi usar o twitter, por ser uma ferramenta de comunicação instantânea, para avisar aos meus seguidores que eu soube de algo muito triste. Que fique claro, eu não estava fazendo jornalismo naquele momento, apenas dizia de maneira respeitosa e pesarosa aos que me seguem o óbito de uma figura pública. Comentei até a respeito do assustador post que ele havia publicado no blog.
Muita gente repercutiu e espalhou a tuitada. Quem recebia a notícia e tinha acesso ao blog dificilmente duvidava que aquela era uma mensagem de despedida. Logo depois o Diário do Pará Online publicou a confirmação: Ronaldo Franco, o poeta, estava morto. Muita gente me ligou – e quem me ligou percebeu pelo tom de voz que eu não estava fazendo nenhuma “brincadeira” mórbida, daquelas que não devem ser feitas nunca – e outros pediram mais informações pelo twitter. Expliquei o que eu sabia.
Minutos depois a informação fora desmentida. O Ronaldo Franco que falecera não era o poeta, mas morava no MESMO PRÉDIO DELE. De uma hora para outra eu virei a Geni do Twitter. Tentei brincar com a situação, mas já era tarde. Para as pessoas eu era um mentiroso que espalhou um boato sem sentido. Ronaldo Franco atualizou seu blog para dizer que está vivo. Não foi erro de fato e sim um erro de sujeito. Há um Ronaldo Franco falecido – que Deus o tenha – mas é outra pessoa. Tudo isso no intervalo de algumas horas.
Porém, gente disse que eu me tornei um irresponsável e mentiroso (para citar alguns adjetivos que recebi).
Faço mea culpa por ter acreditado cegamente num meio de comunicação que foi induzido ao erro por uma homonímia. Não conheço pessoalmente, tampouco tenho o telefone do poeta – se tivesse eu mesmo teria ligado para perguntar se o fato é verídico. Mas também erraram os que retuitaram sem se questionar se a informação era verdadeira. É muito fácil apedrejar, mas naquele momento parece que virei a única fonte de informação dessas pessoas que tinham total liberdade de procurar outros meios e me esclarecer. Eu iria agradecer se fosse contestado antes de virar motivo de chacota desrespeitosa.
Peço desculpas ao poeta Ronaldo Franco e à sua família, pelo meu erro que motivou tanto desconforto, e presto minha solidariedade à família do Ronaldo Franco que foi para o céu.
Espero que tenha esclarecido a situação. Caso contrário qualquer pessoa pode entrar em contato comigo e tirar suas dúvidas. Eis meus contatos.
Situações como estas servem para todos nós reavaliarmos o alcance de nossas condutas no twitter.
P.S.: Depois que as coisas foram se esclarecendo muita gente brincou com a situação e fez piadas com o ocorrido. Quanto a estes eu não me chateio e admito que relaxei com as piadas e até participei de algumas. Só não aceito ofensas, isso já é pegar pesado demais.






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